
Foi um daqueles jantares que começam sem grandes expectativas e acabam por nos surpreender pela leveza. Encontrámo-nos ao fim da tarde, foi o primeiro a chegar a minha casa, para um jantar entre amigos, cada um prepara um petisco ou coloca o vinho e pão, mesa já estava pronta, a luz era baixa e a conversa fluía sem esforço. Na cozinha, enquanto terminava o jantar e ele finalizava a entrada que trouxera para o jantar, falámos de coisas simples – trabalho, viagens adiadas, memórias de infância, músicas que marcaram épocas da nossa vida. Rimos mais do que eu esperava. Senti-me confortável, tranquila, sem jogos nem pressas.
Entretanto chegou a Sofia e a Raquel, por fim a Lúcia e o João (sempre atrasados).
Quando começaram a ir embora, já era tarde, a chuva já caía com força. Daquelas chuvas que parecem despejadas de uma só vez, grossa, barulhenta, a bater no chão e nos carros como se o céu tivesse decidido limpar tudo de uma vez. Todos moram perto e foram embora, mas ele ainda teria de conduzir quase 80km, com estas tempestades não era seguro ( até porque todos tinham bebido um pouco de mais), disse-lhe para esperar mais um pouco, ia embora logo que a tempestade acalmasse. Aceitou, grato por não ter de enfrentar aquele temporal.
Ficamos no sofá ainda mais um pouco, a conversa continuou, mas num tom mais baixo, mais íntimo, como se o som da chuva lá fora criasse uma bolha só nossa.
Começámos a ficar com sono e a chuva estava cada vez pior. Ele morava a quase uma hora dali. Ficámos uns segundos em silêncio a ouvir o barulho da chuva e do vento nas janelas.
“Não quero que vás conduzir assim”, disse eu, quase sem pensar. “Se quiseres… podes ficar. Dormes no sofá.”
Ele olhou-me com aquele meio sorriso calmo que já me estava a desarmar desde o jantar. “Só se tiveres a certeza.”
Tinha.
Fui buscar uma almofada e umas mantas, dei-lhe uma tshirt larga. Fizemos chá, sentámo-nos ainda um pouco mais, a falar de coisas banais, mas com aquela sensação boa de companhia inesperada.
Não houve tensão forçada, nem insinuações. Só duas pessoas cansadas, aquecidas pelo chá e pelo som distante da tempestade lá fora. A certa altura, o cansaço venceu-nos. Dei-lhe um “boa noite” tímido e fui para o quarto. Ele ficou na sala. E foi mesmo só isso. Conversámos, sorrimos, adormecemos.
Mas o corpo, às vezes, guarda coisas que a mente finge não ver.
Acordei com a luz suave da manhã a entrar pelas frestas das cortinas. Durante uns segundos, não me lembrei de nada. Depois veio a memória da noite, da chuva, dele ali em casa. O coração bateu um pouco mais rápido, sem motivo concreto, só pela consciência de que não estava sozinha.
Fiquei deitada, a ouvir os sons da casa. Silêncio. Depois passos leves no corredor. A porta do quarto estava entreaberta. Ele parou ali, hesitou.
“Bom dia…”, disse em voz baixa.
Virei o rosto para ele, ainda meio perdida entre o sono e a realidade. Ele estava com a minha t-shirt, o cabelo ligeiramente despenteado, os olhos com aquele ar tranquilo de quem acabou de acordar.
“Bom dia”, respondi, a voz rouca, quente.
Ele não entrou de imediato. Ficou encostado ao batente da porta, a olhar-me. E aquele olhar demorou-se. Não era apressado, não era invasivo. Era atento. Como se me estivesse a ver de verdade, sem pressa, sem distrações.
Senti-me subitamente consciente de mim mesma. Do lençol amarrotado na cintura, do ombro descoberto, do cabelo espalhado na almofada. Não me mexi. Só o olhei de volta.
“Dormiste bem?” perguntou.
“Sim… e tu?”
“Melhor do que esperava.”
Houve um silêncio pequeno, mas denso. Ele deu um passo para dentro do quarto. Depois outro. Aproximou-se da cama devagar, como se não quisesse quebrar nada do que estava suspenso no ar.
Sentou-se na beira da cama, sem me tocar. Mas a proximidade fez com que eu sentisse o calor do corpo dele antes mesmo de qualquer contacto. O ar parecia mais pesado, mais vivo.
Levantou a mão, com uma hesitação quase doce, e afastou uma madeixa de cabelo do meu rosto. As pontas dos dedos roçaram levemente na minha pele. Um gesto simples, delicado, mas o meu corpo reagiu como se aquele toque tivesse sido amplificado.
Fechei os olhos por um instante, absorvendo a sensação. Quando os abri, ele estava mais perto. Tão perto que eu sentia a respiração dele misturar-se com a minha.
Não falámos. Não era preciso.
Virei-me de lado, ficando frente a frente com ele. Os nossos joelhos tocaram-se sobre o lençol. Pele morna contra pele morna. O contacto foi leve, mas elétrico. Como se o meu corpo inteiro tivesse acordado de vez naquele ponto de encontro.
Ele pousou a mão na minha cintura, por cima do tecido fino da camisola. A mão ficou ali, parada primeiro, só a sentir. Depois o polegar começou a mover-se devagar, em círculos distraídos, quase inocentes. Mas cada movimento parecia ecoar por dentro de mim.
A minha respiração mudou sem que eu desse ordem. Ficou mais funda, mais lenta. Ele percebeu. O olhar dele desceu para a minha boca, depois voltou aos meus olhos, como se estivesse a pedir permissão sem usar palavras.
Aproximei-me o resto do caminho.
O beijo começou suave, ainda com gosto de manhã, de silêncio, de algo que estava a nascer sem plano. Foi um beijo demorado, preguiçoso, exploratório. Sem urgência, mas cheio de intenção. As mãos começaram a ganhar coragem, a deslizar pelas costas, pelos braços, como se estivessem a reaprender um território conhecido de outra vida.
Lá fora, o mundo já funcionava. Um carro passou na rua, ouviu-se uma porta a bater ao longe. E essa normalidade tornava tudo mais intenso, como se estivéssemos a viver um segredo no meio da rotina de toda a gente.
Houve um momento em que parámos, testas encostadas, a tentar recuperar o fôlego. Rimo-nos baixinho, aquele riso cúmplice de quem percebe que cruzou uma linha invisível sem ter planeado.
“Eu devia ir…”, murmurou ele, mas sem se afastar.
“Eu sei”, respondi, também sem me mexer.
Mas nenhum de nós fez menção de se levantar.
Ficámos ali, entre beijos lentos, toques que diziam mais do que qualquer frase, deixando o tempo escorrer sem olhar para o relógio. Não havia pressa, nem promessas. Só a entrega a um momento que nasceu de um jantar simples, de uma tempestade inesperada… e de dois corpos que acordaram ao mesmo tempo para algo que já estava ali, silencioso, à espera.
O peso do corpo dele sobre mim, entre as minhas pernas, a sentir o seu sexo duro a roçar em mim, excitava-me ainda mais.
Foi descendo beijos e língua pelo meu corpo, pelo pescoço, seios, até à minha vagina a latejar de tesão. Tocou o clitóris com a ponta da língua em pequenos círculos, penetrou-me com a língua. Quase que me vinha logo ali nos perliminares.
Subiu até me colocar o pénis ereto junto ao meu rosto, nem hesitei… agarrei-o e meti-o na minha boca, fiz-lhe um broche delicioso. Olhando-o, vendo ele a arfar e a contorcer-se de prazer. Excita-me dar prazer e sentir o pau a pulsar de tesão nos meus lábios. Achei que se ia vir e empurrei-o e sussurrei-lhe ao ouvido: ” Vai fode-me”
E fodeu-me, sem grandes acrobacias, mas na posição mais tradicional que pode haver, fez-me vir mais que uma vez, até ele se vir todo em cima da minha barriga, a sentir os seus fluidos quentes a jorrar sobre mim.
Deixou-se cair sobre mim, abraçámo-nos, e rimos baixinho.
Mais tarde, já sozinha, debaixo do duche, a água quente a percorrer-me a pele, fechei os olhos e deixei que as memórias da manhã voltassem. O olhar demorado. O toque leve no rosto. A mão firme na cintura. A forma como tudo aconteceu sem planeamento, sem cenário, sem esforço.
Sorri.
Porque às vezes o desejo mais intenso não nasce de fantasias elaboradas.
Nasce de um “fica”, dito por causa da chuva…
e de um “bom dia” que muda tudo.
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