
Há uma pergunta que aparece muitas vezes nas minhas lives.
Umas vezes vem de forma direta, outras vezes surge disfarçada no meio da conversa. Mas no fundo é sempre a mesma curiosidade:
“Betty… quais são os teus fetishes?”
E a verdade é que essa pergunta faz-me sempre sorrir um pouco antes de responder.
Não porque seja difícil responder. Mas porque a palavra fetish significa coisas muito diferentes para pessoas diferentes.
Muitos imaginam logo algo muito extremo. Algo proibido. Algo secreto. Como se todos guardássemos uma gaveta escondida cheia de desejos impossíveis.
Mas a realidade é mais interessante do que isso.
Alguns fetishes… na verdade já os vivi.
Já fiz sexo com dois homens, numa praia à noite, com um desconhecido… entre outras situações mais ou menos ousadas.
Nada de escandaloso. Apenas curiosidades naturais que surgem quando duas pessoas têm confiança suficiente para explorar uma à outra sem medo. Aquela fase em que se descobre o corpo do outro com curiosidade e brincadeira, sem pressa.
Alguns fetishes são simplesmente isso: experiências.
Pequenas fantasias que se tornam realidade quando há cumplicidade. Um ambiente diferente, uma situação provocadora, um jogo de papéis que cria tesão e excitação.
Com o tempo, muitas dessas curiosidades deixam de ser fetishes e passam a ser apenas memórias.
Mas há uma que ainda me desperta curiosidade.
Não por obsessão… apenas por aquela pontinha de mistério que ainda não explorei.
Sexo a três… eu e mais um homem e uma mulher.
Não porque seja algo obrigatório na vida de alguém. Nem porque seja um objetivo. Mas porque a ideia tem algo de intrigante. A dinâmica, as energias diferentes, a forma como três pessoas podem criar uma atmosfera totalmente distinta.
Talvez um dia aconteça.
Talvez nunca aconteça.
E está tudo bem com isso.
Porque a maior parte dos fetishes que existem… nunca são feitos para acontecer de verdade.
São feitos para viver na imaginação.
E é aí que muitas pessoas se confundem.
Ao longo do tempo, percebi que homens e mulheres têm fantasias muito semelhantes. Algumas são até surpreendentemente comuns.
Fantasias de raptos e violações.
Fantasias de perder o controlo.
Fantasias de ser dominada ou dominado.
Mas isso não significa que alguém queira viver essas coisas na realidade.
Muito pelo contrário.
Ninguém quer verdadeiramente ser raptado.
Ninguém quer verdadeiramente ser violado.
O que excita nessas fantasias não é o perigo real.
É a ideia de perder o controlo num espaço seguro.
É a entrega.
É saber que há alguém de confiança que está a conduzir a situação, enquanto se permite sentir coisas intensas sem medo real.
A imaginação humana é muito poderosa.
Há quem fantasie com encontros proibidos. Sexo no consultório de um médico. Aquela tensão e tesão de estar num lugar onde supostamente não deveria acontecer nada… mas acontece.
Outros imaginam cenários na sala de aula. Um professor exigente. Um olhar que dura um segundo a mais. Uma provocação subtil que cresce até se tornar impossível ignorar.
Ou fazer sexo a troco de dinheiro.
E depois há as fantasias mais clássicas:
ser algemada por um polícia, ser apanhada em flagrante e essa pessoa juntar-se à cena, ser surpreendida por alguém que assume o controlo com firmeza.
Tudo isso vive num território muito específico.
O território da fantasia.
Na vida real, ninguém quer ser dominado por alguém em quem não confia.
Mas num relacionamento onde existe confiança… essas ideias podem tornar-se jogos excitantes.
Cenários criados de propósito. Pequenos teatros íntimos onde duas pessoas exploram papéis diferentes por algumas horas.
É quase como contar uma história com o corpo.
Uma vez um viewer disse-me algo que ficou na minha cabeça.
Ele disse:
“Os fetishes são como filmes que passam dentro da nossa mente.”
Achei uma forma bonita de explicar.
Porque tal como num filme, podemos imaginar coisas intensas, perigosas, proibidas… sabendo que no fundo estamos seguros.
E talvez seja isso o que torna as fantasias tão excitantes.
A liberdade.
A liberdade de imaginar sem consequências.
No fundo, todos temos dois lados.
O lado racional, organizado, que vive o dia-a-dia com regras e responsabilidades.
E depois há o lado mais instintivo. O lado que gosta de imaginar cenários diferentes, experimentar emoções mais cruas, sentir aquela adrenalina que acelera o coração.
Eu própria sinto isso às vezes.
Há noites nas lives em que alguém faz uma pergunta simples… e de repente a conversa entra nesse território da imaginação.
Começamos a construir cenários.
“E se estivesses agora algemada numa cama?” ; “E se alguém entrasse na sala e te apanhasse assim?” ; “Pago-te bem para uma noite num hotel comigo. Aceitas?”
Isto excita-me durante as lives, a mente começa a brincar com essas imagens.
O curioso é que muitas vezes o que excita não é o ato em si.
É a antecipação.
É a forma como uma ideia vai crescendo lentamente dentro da cabeça.
Talvez por isso as fantasias sejam tão poderosas.
Porque são nossas.
Cada pessoa imagina os detalhes de forma diferente. O cenário, os cheiros, a luz do quarto, o tom de voz da outra pessoa.
E nesse mundo imaginado… tudo pode acontecer.
Mas a linha entre fantasia e realidade é importante.
Fantasias só são verdadeiramente excitantes quando existe consentimento, confiança e escolha.
Quando duas pessoas decidem brincar com uma ideia sabendo que podem parar a qualquer momento.
Esse é o verdadeiro segredo das relações que conseguem manter o desejo vivo ao longo do tempo.
A capacidade de continuar curioso.
De continuar a explorar.
De não ter medo de dizer ao outro:
“Sabes no que pensei hoje?”
Às vezes é uma fantasia pequena.
Às vezes é algo mais ousado.
E às vezes fica apenas no campo da imaginação… onde também é perfeitamente feliz.
Porque no final, os fetishes não são sobre coisas estranhas.
São sobre desejo humano.
Sobre a vontade de sentir algo diferente.
Sobre o prazer de partilhar segredos íntimos com alguém que os recebe sem julgamento.
Talvez seja por isso que gosto quando me fazem essa pergunta nas lives.
“Betty… quais são os teus fetishes?”
Não é apenas curiosidade.
É quase como abrir uma porta para um lado mais honesto das pessoas.
Um lado onde todos admitem, mesmo que por alguns minutos, que dentro da cabeça existe um pequeno mundo de fantasias.
E isso… é muito mais comum do que se imagina.
Porque no fundo, todos nós temos pensamentos que nunca vamos realizar.
Cenários que existem apenas na imaginação e que nos momentos certos abrem portas ao prazer em alta intensidade.
Histórias que vivem no território secreto entre o desejo e a curiosidade.
E talvez seja exatamente aí que mora a parte mais excitante de todas.
Na liberdade de imaginar… sem nunca deixar de escolher o que queremos viver de verdade.
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