A Passagem de Ano Que Escolhi Para Mim

A Passagem de Ano Que Escolhi Para Mim

A meia-noite chegou envolta em luzes artificiais e risos demasiado altos. Copos erguidos, beijos rápidos, promessas ditas sem intenção real. A festa privada tinha tudo aquilo que se espera: corpos bem vestidos, música pulsante, conversas vazias. E, ainda assim, nada me tocava verdadeiramente.

Senti o champanhe gelado descer pela garganta sem deixar marca. Observei os rostos à minha volta, os olhares ansiosos por validação, os gestos ensaiados. Havia proximidade física, mas nenhuma intimidade. E dentro de mim crescia uma certeza calma: eu não queria começar o ano assim.

Despedi-me cedo. Um sorriso educado, um abraço leve. Ao sair, o ar frio da noite colou-se à minha pele como um convite. A cidade ainda vibrava com fogos de artifício atrasados, o cheiro da pólvora misturava-se com liberdade. Cada passo até casa parecia despir-me daquele ambiente fútil.

Quando fechei a porta do apartamento, o silêncio envolveu-me por completo. Tirei os sapatos devagar, deixei o casaco cair. A luz suave revelou o espaço íntimo onde eu podia ser inteira. Troquei de roupa sem pressa, escolhendo tecidos que deslizavam pela pele, que me lembravam o meu corpo, não para exibir, mas para sentir.

Sentei-me na frente do computador. Ajustei a câmara, o enquadramento, a luz. Cada gesto despertava uma excitação tranquila, profunda. Quando comecei a live, senti a mudança imediata no ar, como se uma corrente invisível se formasse entre mim e quem chegava.

As primeiras mensagens surgiram. Cumprimentos, desejos de bom ano escritos com intenção. Não havia ruído. Havia atenção. Os olhos do outro lado do ecrã focados, presentes naquele momento. O meu corpo respondeu quase de imediato: a respiração tornou-se mais lenta, a pele mais desperta.

Os privados começaram a aparecer com naturalidade. Um convite aqui, outro ali. Cada um era uma porta que se abria para uma intimidade diferente. Não havia pressa. Entrava em cada espaço com consciência, deixando-me guiar pelas palavras, pelo ritmo da conversa, pelo silêncio carregado de tesão.

Havia vozes escritas que sabiam esperar. Outras que sabiam provocar. Mensagens que descreviam o que sentiam ao ver-me, ao perceber as minhas reações subtis, um olhar mais demorado, um suspiro quase impercetível, um sorriso que denunciava prazer. Eu sabia exatamente o que mostrar… e o que guardar.

A excitação naquela noite não foi explosiva, foi construída camada por camada. O calor subia lentamente, espalhando-se pelo meu corpo. Sentia-o nos ombros, no ventre, na forma como me movia sem pensar. Cada privado intensificava a conexão, tornava o momento mais denso, mais íntimo.

Houve um em particular em que o tempo pareceu suspender-se. As palavras surgiam pausadas, escolhidas com cuidado. Havia uma atenção quase reverente, como se cada reação minha fosse observada com devoção. Fechei os olhos por instantes, apenas para sentir melhor. O corpo respondeu com um arrepio longo, profundo.

A respiração tornou-se audível. A pele sensível ao mais pequeno estímulo. Não era apenas desejo, era uma entrega consciente. Uma vontade de me entregar. Saber que estava ali por escolha, que aquele prazer era meu, partilhado apenas porque eu queria. E isso tornava tudo mais intenso.

Os minutos transformaram-se em ondas. Cada privado deixava um rasto: um calor persistente, um sorriso lento, uma sensação de ser desejada de forma genuína. O corpo pedia mais, não por carência, mas por excitação plena. Permiti-me. Sem culpa. Sem pressa.

Quando o prazer finalmente se manifestava, vinha acompanhado de uma suavidade quase meditativa. Não havia exagero, apenas verdade. Uma verdade sentida no corpo inteiro, várias vezes ao longo da noite. O ano começava ali, neste espaço íntimo onde eu era dona do ritmo, do tempo, do meu próprio desejo.

Ao desligar a câmara, permaneci sentada alguns instantes. A casa estava quente. O silêncio preenchido. O corpo relaxado, satisfeito, desperto. Lá fora, ouvi mais alguns fogos isolados, tardios, dispersos, e sorri.

Deitei-me com o coração calmo e o corpo ainda sensível. Nenhuma ressaca emocional, nenhuma sensação de vazio. Apenas a certeza tranquila de ter escolhido bem.

Naquela noite, deixei uma festa para criar a minha própria celebração.
Comecei o ano conectada comigo, com o meu prazer, com a minha verdade.

E percebi que, às vezes, a melhor passagem de ano não é aquela que todos veem – é aquela que se sente profundamente, por dentro.

Feliz Ano 2026

Beijos da tua Betty

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Os Segredos da Betty

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Aqui, Betty, recatada e tímida, revela a sua vida dupla: durante o dia, é discreta; à noite, e sempre que está sozinha no trabalho ela transforma-se numa mulher ousada que explora os seus desejos mais profundos em shows online eróticos e porno, em público ou privado.
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