A Manhã em que o Tempo Parou

Encontrá-lo ali, naquela praia onde eu costumava caminhar para limpar a cabeça, foi como levar com uma onda no peito.
Trinta anos passaram a correr, mas o meu corpo reconheceu-o antes da memória.
O mesmo sorriso torto, o mesmo olhar quente… só mais homem, mais seguro, mais lento nos gestos — aquele tipo de lentidão que faz uma mulher respirar mais fundo sem saber porquê.

Eu agora com 48 anos, caminhava sozinha pela areia molhada, quando ouvi:

Elisabete?.. és tu?

Virei-me e ele estava ali, com a barba por fazer, o cabelo húmido da maresia e aquele ar de “eu lembro-me de ti melhor do que devia”.

Rimos, aproximámo-nos, abraçámo-nos com aquele toque meio estranho e meio urgente de quem reconhece uma história antiga no corpo do outro.

Ele convidou-me para um café na esplanada mesmo ali ao lado.
Chovia leve, a praia vazia, e nós dois sentados a falar como se o tempo tivesse dado uma volta só para nos voltar a juntar.

Trocámos contactos.
Vieram outros cafés, outras conversas, longas caminhadas.
O desejo começou naquela fase silenciosa — quando o braço dele tocava no meu “por acidente”, quando o olhar demorava um segundo a mais, quando a minha respiração mudava sem eu querer.

Até que num desses dias, o céu desabou em chuva grossa.

Queres ir até uma casa de praia de um amigo meu? É mesmo aqui ao lado. Podemos esperar a chuva passar. — disse ele, mas o tom… havia qualquer coisa mais.

Eu assenti.
Não foi inocente. Nem precisava ser.


A casa era simples, madeira antiga, cheiro a sal e a lareira fria.
Quando entrámos, a chuva batia nas janelas como um convite para ficarmos ali presos… juntos.

Sentes frio? — perguntou ele.

Assenti.
Ou talvez fosse só o arrepio que subiu pelas minhas costas quando ele se aproximou.

Ele acendeu a lareira.
O estalar da madeira, o calor a crescer… e nós, dentro daquele silêncio suspenso, onde tudo aquilo que tínhamos evitado dizer começou a ganhar corpo.

Sentámos-nos no sofá de couro antigo , lado a lado.
Os nossos joelhos tocavam-se.
As mãos também.
Não havia música, só o barulho da chuva e o som da respiração dele — profunda, quente, perto demais.

Nunca te esqueci, sabias? — murmurou ele.

A minha pele acendeu.
Quando virei o rosto para ele, a distância entre as nossas bocas desapareceu.

O beijo começou suave… mas não ficou suave muito tempo.

Era um beijo lento e ao mesmo tempo faminto.
A mão dele na minha nuca, os dedos entre o meu cabelo, puxando-me mais para ele.
E o meu corpo… o meu corpo respondeu como se tivesse estado à espera disto por décadas.

O toque dele desceu pelo meu braço.
Senti os dedos a deslizarem pela minha pele como se estivessem a reconhecer um território antigo.

Ele afastou-se só o suficiente para me olhar.

És ainda mais bonita agora.

A frase tocou em lugares dentro de mim que eu nem sabia que estavam à espera.

As mãos dele percorreram as minhas coxas, devagar, como se quisesse saborear cada centímetro e foram levantando o vestido lentamente como que a procurar consentimento.
A lareira espalhava um brilho dourado pela sala.
O cheiro da madeira ardente misturava-se com o cheiro dele — masculino, perfumado, viciante.

Eu desfiz o fecho da sua camisola.
Ele deslizou os dedos pela minha cintura, pela curva das minhas costas.
A cada toque, o meu corpo aquecia mais, pedia mais, abria-se mais.

Quando finalmente nos deitamos no tapete em frente à lareira, era como se o tempo tivesse desaparecido.
Só existia calor.
Respiração.
Pele sobre pele.

Suor.

Tesão.

E aquela paixão de reencontro, intensa, profunda, quase adolescente — mas vivida com maturidade, corpo inteiro, coragem adulta.

Ele tocava-me com uma mistura de desejo urgente e reverência, passou a língua no clitóris duma forma que me fez gemer baixinho de prazer, mentalmente gritava: “Não pares, fode-me.”
E eu respondia, guiava, oferecia, deixava-me ir.

Queria sentir-lhe o sabor, agarrei o sexo duro e latejante, empurrei-o para que pudesse chupar aquele tesão todo, senti-lo na minha boca a pulsar, quase a derramar-se na minha boca.

Puxei-o e murmurei: “Tens preservativos?” (Como se naquele tesão todo isso fosse importante, mesmo que não os tivesse). Rapidamente tirou um da carteira, apressadamente o colocou e penetrou-me vigorosamente, como se ainda fossemos dois adolescentes com as hormonas aos saltos, cheios de tesão, desejo e pressa de sentir prazer.
Sentia a força das mãos dele, o peso do corpo, a firmeza, a fome.
A minha própria respiração ficava mais rápida, mais quente, mais sincera.

Foi intenso.
Foi longo.
E foi só o primeiro round.

Depois do primeiro clímax, ficámos aninhados no tapete, suados, ofegantes, a rir como dois adolescentes apanhados a fazer o que não deviam.

Mas ele não parou de me tocar.
Nem eu a ele.
E cada toque reacendia tudo outra vez — como se o nosso corpo tivesse descoberto um atalho para a urgência.

Houve segundo round.
Terceiro.
E um quarto mais lento, mais profundo, mais íntimo — daqueles que não acontecem por acaso.

O barulho da chuva, o calor da lareira, as nossas respirações misturadas…
Foi uma manhã inteira de desejo, reencontro e um tipo de prazer que só a maturidade oferece — aquele que não tem pressa, nem culpa, nem explicação.

Quando a tempestade amansou, ficámos deitados, olhos nos olhos, com aquela sensação de que algo antigo tinha finalmente sido vivido.

Ele passou os dedos pelo meu rosto.

Sempre quis isto contigo. Só demorei trinta anos…

Sorri, encostei a testa na dele e respondi:

Valeu a pena esperar.

E pela primeira vez em algum tempo, senti-me leve.
Desejada.
Viva.

E com a certeza deliciosa de que aquela manhã não tinha sido um acaso…
Mas o recomeço de algo que o tempo não conseguiu apagar.

Obrigada pelo teu comentário

Os Segredos da Betty

O lugar onde a Elisabete e a Betty são uma só…

“Betty’s Secrets” é o lugar onde a rotina de uma mulher comum encontra o inesperado.
Aqui, Betty, recatada e tímida, revela a sua vida dupla: durante o dia, é discreta; à noite, e sempre que está sozinha no trabalho ela transforma-se numa mulher ousada que explora os seus desejos mais profundos em shows online eróticos e porno, em público ou privado.
Entre confissões e contos provocantes, descobre os segredos de quem ousa viver entre o real e o proibido.
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