
Conhecemo-nos no Tinder. A conversa começou tímida, quase inocente. Mas bastaram algumas trocas de olhares nas fotos, uns elogios “sussurrados” por mensagem e os limites começaram a dissolver-se. As palavras tornaram-se confissões. Os desejos, promessas. E assim nasceu o plano — combinámos nos encontrar para jantar, se houvesse química e a conversa fluísse iríamos para um hotel, longe dos olhares do mundo, para nos perdermos um no outro.
Ele chegou primeiro, eu não me atrasei muito. O jantar foi perfeito, ele escolheu um lugar requintado, boa comida, sobremesa deliciosa(sou muito gulosa). A conversa fluiu melhor que o esperado, falámos de tudo um pouco, de nós, das nossas vidas, do que nos irrita e do que nos faz feliz…
Ele tocou-me na mão com uma carícia, agarrou e puxou-me para ma roubar um beijo. Senti um arrepio percorrer o meu corpo e um calor a crescer entre as minhas pernas, não resisti e correspondi ao seu beijo…
Ele pediu a conta e perguntou: “Subimos?” Apenas respondi com um sorriso e pedi para eu ir primeiro para me colocar mais confortável, ele ficou a terminar o seu café.
Cheguei antes ao quarto. Queria o tempo e o espaço só para mim por uns minutos. O quarto era elegante, em tons de bege e dourado, com uma cama enorme no centro e lençóis brancos impecáveis. Tirei o vestido, vesti um robe de cetim vermelho para que não revelasse logo a minha lingerie. Abri o robe ligeiramente e deixei apenas um pouco a vista da renda preta da minha lingerie que me cobria como um segredo à espera de ser descoberto. Bebi um gole de vinho, os lábios tingidos de vermelho, e aguardei.
Quando a porta se abriu e ele entrou, o ar pareceu mudar. Alto, moreno, com cabelos ligeiramente despenteados e barba por fazer. Havia algo de cru nele, uma energia bruta que me arrepiou de imediato. O olhar dele percorreu-me devagar, como se quisesse saborear cada centímetro do meu corpo com os olhos antes mesmo de me tocar. E eu deixei.
Aproximou-se com calma. Os dedos tocaram-me os ombros nus, desceram pelas costas expostas até à curva das ancas. A pele arrepiou-se sob o seu toque, e o meu corpo cedeu ao calor das mãos dele, que me exploravam como quem descobre um território novo e sagrado. A tensão crescia entre nós como uma corrente elétrica. E o tempo deixou de ter importância.
Os nossos lábios encontraram-se novamente num beijo quente, profundo, daqueles que fazem esquecer quem se é. O gosto dele misturava-se com o vinho que ainda estava na minha boca. Beijou-me o pescoço, as clavículas, os seios. Lambeu e chupou cada mamilo com uma lentidão deliciosamente cruel, enquanto as suas mãos percorriam as minhas coxas, afastando-as com autoridade.
Deixei-me cair de costas na cama, com ele entre as minhas pernas. Senti a sua língua provar-me com fome, fome de prazer, como se me quisesse devorar. Gemi baixinho, tentando conter o prazer que pulsava em mim, mas era impossível. Ele sabia exatamente onde tocar, como pressionar, como sugar… o clímax veio rápido, intenso, como uma onda que me atravessou inteira.
Não falámos muito. A linguagem era o toque, o olhar, a respiração. Os gemidos que escapavam, os suspiros partilhados no escuro. Quando o penetrei com o olhar e o puxei para dentro de mim, com o seu sexo duro e latejante, foi como encaixar duas metades feitas uma para a outra. Movemo-nos em harmonia — ora lentos, ora urgentes — como se já nos conhecêssemos de outras vidas.
O cheiro da nossa pele, do desejo, do prazer partilhado, enchia o quarto. O som da cama com os nossos movimentos, das nossas bocas famintas, da nossa luxúria de puro prazer. Estávamos mergulhados um no outro, sem passado, sem futuro. Apenas a carne, o suor e o agora.
Permiti-me desfrutar de mais um orgasmo, a seguir senti o seu respirar mais pesado, gemidos roucos e senti ele a jorrar dentro de mim. Depois, ficámos deitados, ainda entrelaçados, com os corpos colados, as peles húmidas, os corações descompassados, ele ainda dentro de mim… Começou a deslizar lentamente para fora de mim, molinho, lambuzado de sémen, com cuidado para o preservativo não se soltar.
Tomamos um duche juntos e voltamos para o nosso ninho de prazer.
Com a sua voz rouca, mas suave pediu: “Fica comigo esta noite…”
Senti-me inteira. Saciada. Mas com um desejo estranho de repetir tudo, talvez num outro lugar, noutra cama… com ele, outra vez, se o destino quiser.
Abracei-o e adormecemos entrelaçados.
Há encontros que não se explicam. Só se sentem. Com o corpo, com a pele, com todos os sentidos.
Beijo grande da tua Betty
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